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Estratégias financeiras para indústrias: indicadores para CFOs

Última atualização 29 de setembro de 2026

Tempo de leitura: 19 min

Estratégias financeiras para indústrias: indicadores que todo CFO deve acompanhar

Na indústria, um bom resultado financeiro raramente pode ser explicado olhando apenas para faturamento, despesas e saldo de caixa.

Uma margem menor pode começar no aumento do preço da matéria-prima, em uma máquina operando abaixo da capacidade ou em um desperdício crescente na produção. O estoque pode pressionar o caixa mesmo quando as vendas continuam avançando.  

Uma decisão tributária pode interferir na formação de preços, no retorno de um investimento e no capital disponível para financiar a operação.

É por isso que a atuação do CFO industrial exige uma leitura cada vez mais integrada do negócio.

Indicadores financeiros continuam sendo fundamentais, mas ganham valor quando são relacionados aos dados de produção, estoque, custos, investimentos e tributação. É importante entender o que está produzindo o resultado apresentado pela empresa e quais decisões podem melhorá-lo.

Neste guia, reunimos os principais indicadores que ajudam nessa análise e mostramos como transformá-los em instrumentos para proteger margens, planejar caixa, avaliar investimentos e identificar oportunidades de eficiência.

Qual é o papel do CFO na indústria?

O CFO é responsável por transformar informações financeiras em decisões capazes de sustentar a operação e os objetivos da empresa.

Em uma indústria, essa função se conecta diretamente ao que acontece no chão de fábrica e em toda a cadeia de suprimentos.

Comprar uma nova máquina altera investimento, capacidade produtiva e fluxo de caixa. Aumentar estoques pode proteger a produção contra atrasos no fornecimento, mas exige capital. Uma mudança no preço de venda afeta margem, demanda e tributação. Já a expansão de uma linha produtiva pode envolver financiamento, incentivos fiscais e um prazo de retorno de vários anos.

Por isso, entram no campo de análise do CFO temas como:

  • máquinas e equipamentos: exigem avaliação do investimento, forma de financiamento, capacidade adicional e retorno esperado;
  • estoques: representam recursos aplicados em matéria-prima, produtos em processo e produtos acabados;
  • custos industriais: interferem diretamente na margem e na competitividade;
  • capital de giro: determina quanto recurso a operação precisa para financiar seu ciclo;
  • preços: precisam sustentar margem, posicionamento comercial e efeitos tributários;
  • endividamento: define parte do custo de capital e da exposição financeira;
  • tributação: afeta caixa, custos, preços, investimentos e retorno.

Essa visão permite ao financeiro identificar a origem de uma alteração nos resultados, em vez de acompanhar apenas seu efeito posterior na demonstração financeira.

Por que o CFO precisa olhar além dos indicadores financeiros?

Um indicador financeiro registra o resultado de vários acontecimentos que ocorreram antes dele.

Imagine uma indústria cuja receita cresceu 15% em determinado período. Isoladamente, o número parece positivo. Mas, durante o mesmo intervalo, o custo das matérias-primas aumentou, o estoque médio cresceu e os prazos concedidos aos clientes ficaram mais longos.

A empresa vendeu mais e pode ter terminado o período com margem menor e mais dinheiro comprometido no capital de giro.

A análise financeira precisa, portanto, encontrar as causas operacionais do número.

Essa conexão também funciona no sentido inverso. Um aumento no desperdício da fábrica ainda pode parecer um problema exclusivamente operacional, mas tende a aparecer posteriormente no custo unitário, na margem e no caixa.

Quais são os principais indicadores financeiros para o CFO da indústria?

Os indicadores ajudam a transformar demonstrações financeiras e registros de gestão em sinais sobre o desempenho da empresa.

A escolha deve acompanhar o modelo de negócio. Uma indústria que trabalha com estoques elevados, produção sob encomenda e ciclos longos terá prioridades diferentes de uma operação com giro rápido e menor necessidade de capital.

Alguns indicadores, porém, oferecem uma base importante para a maioria das análises industriais.

Margem de lucro: o crescimento está gerando resultado?

A margem mostra quanto da receita permanece na empresa depois dos custos e despesas considerados em cada nível da análise.

Na indústria, evite a leitura de uma única margem. A margem bruta, por exemplo, ajuda a acompanhar a relação entre receita e custo dos produtos vendidos. A margem líquida incorpora despesas, resultado financeiro, tributos e outros efeitos até chegar ao lucro final.

Dependendo da gestão utilizada pela empresa, a margem de contribuição também pode ajudar a analisar produtos, clientes ou linhas ao mostrar quanto sobra da receita depois dos custos e despesas variáveis para cobrir a estrutura fixa e gerar resultado.

Uma queda de margem pode levar o CFO a investigar:

  • custos de matérias-primas e componentes;
  • eficiência do processo produtivo;
  • formação dos preços;
  • mix de produtos;
  • despesas operacionais;
  • carga tributária efetiva.

A utilidade do indicador está justamente nessa investigação. Uma margem menor sinaliza uma alteração na dinâmica econômica da operação; os dados financeiros e operacionais ajudam a identificar suas causas.

EBITDA: como está o desempenho operacional?

EBITDA é a sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização.

O indicador busca mostrar o desempenho operacional antes de alguns efeitos financeiros, tributários e contábeis. Isso permite comparar períodos e observar com maior clareza a capacidade da operação de gerar resultado.

Para o CFO, o EBITDA pode ajudar a analisar evolução operacional, comparar unidades ou acompanhar o desempenho diante de mudanças de volume e custos.

EBITDA não é fluxo de caixa. Ele precisa, porém, ser lido junto a outros indicadores.

Uma empresa pode apresentar crescimento do EBITDA e, simultaneamente, consumir caixa em razão do aumento de estoques e recebíveis, pagamento de juros, tributos, amortizações de dívida ou investimentos em CAPEX.

Uma indústria pode apresentar EBITDA positivo e enfrentar uma situação financeira difícil se possuir dívida elevada, grandes investimentos em ativos, estoques crescentes ou clientes que demoram para pagar. O indicador também não representa diretamente o dinheiro disponível em caixa.

Fluxo de caixa: a operação está gerando liquidez?

O fluxo de caixa acompanha entradas e saídas de recursos ao longo do tempo. Sua importância está na diferença entre resultado contábil e disponibilidade financeira.

Lucro não é caixa. EBITDA não é caixa. Crescimento também pode consumir caixa.

Uma empresa pode crescer em vendas e EBITDA e, simultaneamente, reduzir sua disponibilidade financeira se precisar aumentar estoques, financiar clientes e investir em capacidade produtiva.

Uma venda pode gerar receita hoje e ser recebida daqui a 60 dias. A matéria-prima utilizada para produzir aquele item pode ter sido paga antes mesmo da venda. Entre esses momentos, a empresa precisa financiar o intervalo.

Para o CFO industrial, a projeção de fluxo ajuda a antecipar períodos de maior necessidade de capital, investimentos, pagamentos de dívida, compras relevantes e efeitos tributários. Quanto maior a previsibilidade do fluxo de caixa, maior tende a ser a capacidade de planejar antecipadamente necessidades de financiamento e alocação de capital.

Capital de giro: quanto dinheiro a operação consome para funcionar?

Capital de giro está diretamente relacionado aos recursos necessários para sustentar a operação, enquanto pagamentos e recebimentos acontecem em momentos diferentes.

Na indústria, três componentes merecem atenção especial:

  • estoques: dinheiro fica aplicado em matéria-prima, produtos em processo e produtos acabados;
  • contas a receber: vendas já realizadas ainda não se transformaram em caixa;
  • contas a pagar: prazos com fornecedores ajudam a financiar parte do ciclo.

Esses três componentes podem ser analisados pelo Ciclo de Conversão de Caixa (Cash Conversion Cycle – CCC). O CCC reúne justamente esses três componentes e pode ser calculado da seguinte forma:

Prazo Médio de Estoques + Prazo Médio de Recebimento − Prazo Médio de Pagamento.

Quanto mais longo o ciclo entre comprar, produzir, vender e receber, maior tende a ser a necessidade financeira da empresa. Essa dinâmica explica por que uma indústria pode crescer e, ao mesmo tempo, precisar de mais recursos.

O crescimento da receita acompanhado pelo alongamento do ciclo de caixa pode exigir financiamento adicional, mesmo quando EBITDA e lucro estão aumentando. Mais vendas podem exigir mais matéria-prima, maior estoque e maior volume de recebíveis antes que o dinheiro das novas receitas entre efetivamente no caixa.

Endividamento: a estrutura de capital continua sustentável?

Indicadores de endividamento ajudam o CFO a entender quanto da empresa está sendo financiado por capital de terceiros e qual é sua capacidade de cumprir os compromissos assumidos.

Não existe uma relação ideal de dívida que sirva para todas as indústrias. A leitura depende da geração de caixa, estabilidade da operação, custo dos financiamentos e finalidade dos recursos captados.

Entre as análises possíveis estão a dívida líquida em relação ao EBITDA, custo médio das dívidas, cobertura dos encargos financeiros e cronograma de vencimentos.

A dívida usada para financiar um investimento capaz de ampliar produtividade pode ter uma leitura bastante diferente daquela assumida para cobrir continuamente déficits operacionais de caixa.

O CFO precisa relacionar a origem da dívida ao retorno que ela deve produzir.

ROI: o investimento está entregando o retorno esperado?

ROI, ou retorno sobre investimento, compara o ganho obtido com o valor aplicado em determinado projeto.

Na indústria, ele pode ajudar a avaliar aquisições de equipamentos, automação, novas linhas, tecnologia, eficiência energética e projetos de inovação.

O cálculo ganha qualidade quando incorpora os efeitos que realmente mudam o resultado do projeto.

Uma máquina nova pode reduzir custos de manutenção, aumentar a capacidade, diminuir perdas ou melhorar produtividade. Incentivos fiscais eventualmente aplicáveis também podem alterar o custo líquido do investimento.

Para decisões de maior prazo, o ROI deve ser acompanhado de outras análises financeiras, como prazo de retorno, fluxo de caixa projetado, valor presente líquido e riscos associados às premissas.

Quais indicadores operacionais também impactam a estratégia financeira?

Grande parte do resultado financeiro de uma indústria nasce dentro da operação. Por isso, alguns indicadores que normalmente aparecem nos dashboards da produção também precisam chegar à análise do CFO. 

Eles ajudam a explicar por que custos, margens e necessidade de capital estão mudando.

Custo por unidade produzida

O custo unitário mostra quanto a empresa gasta, em média, para produzir uma unidade.

Sua evolução pode revelar aumento no preço dos insumos, perda de produtividade, maior consumo de energia, desperdícios ou baixa utilização da capacidade.

Há ainda um efeito importante dos custos fixos.

Quando uma planta produz abaixo de sua capacidade, custos como aluguel, manutenção, supervisão e parte da estrutura industrial precisam ser distribuídos por um número menor de unidades. O custo unitário pode aumentar mesmo que essas despesas não tenham mudado. Por isso, o CFO precisa analisar custo e volume em conjunto.

Giro de estoque

O giro indica a velocidade com que o estoque é renovado. Um giro baixo pode significar produtos parados, compras acima da necessidade, desaceleração da demanda ou desequilíbrio entre planejamento comercial e produção.

Financeiramente, o efeito aparece no capital imobilizado. Recursos aplicados em materiais ou produtos que permanecem meses no estoque não estão disponíveis para pagar fornecedores, realizar investimentos ou reduzir dívida.

Também é útil acompanhar o número de dias de estoque, especialmente quando o CFO precisa projetar a necessidade de caixa.

Índice de desperdício

Perdas de matéria-prima, refugos, retrabalho e defeitos têm reflexo direto sobre os custos. Uma pequena variação percentual pode representar um valor relevante em operações de grande volume.

Acompanhar o desperdício permite relacionar problemas de qualidade e processo à margem financeira. Também ajuda a quantificar o retorno de investimentos em manutenção, treinamento, automação ou melhoria industrial.

OEE

OEE, ou Overall Equipment Effectiveness, mede a eficiência global dos equipamentos a partir de três fatores: disponibilidade, desempenho e qualidade.

Em termos práticos, o indicador ajuda a entender quanto da capacidade prevista de uma máquina ou linha está sendo efetivamente convertida em produção adequada.

Para o financeiro, essa informação tem impacto direto. Uma máquina que sofre paradas frequentes, opera abaixo da velocidade prevista ou produz muitas peças com defeito reduz a quantidade vendável gerada pelo mesmo ativo. Isso interfere no custo unitário e no retorno sobre o capital investido.

Produtividade

A produtividade relaciona os recursos utilizados ao volume ou valor produzido. Ela pode ser observada por hora trabalhada, máquina, linha, turno ou outro critério compatível com a operação.

Um aumento de produtividade tende a permitir maior produção com a mesma estrutura ou a mesma produção com menor consumo de recursos.

Para o CFO, essa evolução ajuda a explicar as alterações de margem e também a avaliar se uma expansão realmente exige novo investimento em capacidade.

Como os indicadores ajudam o CFO a tomar decisões estratégicas?

Acompanhar indicadores produz pouco valor quando o processo termina no dashboard. Uma métrica útil deve provocar uma pergunta e orientar uma investigação. Só depois dessa análise surgem as decisões.

A tabela abaixo mostra como essa sequência pode funcionar:

Como os indicadores ajudam o CFO a tomar decisões estratégicas?

A tabela não oferece respostas automáticas. Ela ajuda a organizar o raciocínio. Uma margem em queda, por exemplo, pode ter várias causas simultâneas. O CFO precisa combinar informações financeiras e operacionais para descobrir quais delas são relevantes antes de tomar uma decisão.

Como a estratégia tributária influencia os indicadores financeiros?

Tributação interfere diretamente nos números que o CFO utiliza para administrar a empresa.

A incidência dos tributos afeta preços, margens, capital de giro, fluxo de caixa e retorno de investimentos. Créditos tributários, incentivos e mudanças regulatórias também podem modificar o custo líquido de determinadas decisões.

Esse tema ganhou ainda mais importância durante a transição da Reforma Tributária do Consumo.

Em 2026, CBS e IBS já fazem parte do ambiente fiscal, inicialmente com alíquotas de teste e novas obrigações acessórias. A partir de 2027, PIS e Cofins deixam de existir, enquanto a transição de ICMS e ISS para o IBS ocorre gradualmente entre 2029 e 2032.

Para o CFO, essa mudança precisa chegar aos modelos financeiros antes que seus efeitos apareçam nos resultados realizados.

Tributação e margem

A carga tributária efetiva faz parte da formação do resultado. Duas operações com a mesma receita e custo industrial podem apresentar margens diferentes quando possuem tratamentos tributários distintos.

Por isso, acompanhar apenas a alíquota nominal raramente oferece uma visão suficiente.

Créditos aproveitáveis, regimes aplicáveis, benefícios fiscais e características da cadeia interferem no valor efetivamente suportado pela empresa. Quando a margem muda, a tributação deve entrar entre as variáveis analisadas.

Tributação e fluxo de caixa

O momento em que um tributo é pago ou um crédito é aproveitado interfere na liquidez.

Uma empresa pode ter direito a determinado crédito e ainda enfrentar um intervalo até conseguir utilizá-lo. Da mesma forma, mudanças no sistema tributário podem alterar a relação entre débito, crédito e pagamento.

Durante 2026, empresas precisam acompanhar a implementação das novas obrigações, leiautes e procedimentos relacionados à CBS e ao IBS, cujos cronogramas e regras vêm sendo disciplinados pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor do IBS. Para o financeiro, essa transição exige atenção aos sistemas, documentos fiscais, conciliações e projeções de caixa.

O efeito financeiro precisa ser observado junto com a apuração tributária.

Tributação e precificação

Preço de venda precisa considerar custos, margem pretendida, condições de mercado e o tratamento tributário da operação.

Quando a legislação muda, o CFO precisa avaliar se o modelo utilizado na formação do preço continua representando o custo econômico da transação.

A Reforma Tributária torna esse exercício especialmente importante porque altera gradualmente a lógica dos tributos sobre o consumo e dos respectivos créditos.

Isso pode afetar diferentes produtos, clientes e etapas da cadeia de maneiras distintas ao longo da transição.

Tributação e investimentos

Um projeto de investimento deve ser analisado com base no desembolso líquido e nos fluxos financeiros que ele poderá gerar.

Quando existe incentivo fiscal aplicável, seu impacto pode fazer parte dessa conta.

Imagine que uma indústria esteja avaliando um projeto de automação associado também a atividades de pesquisa e desenvolvimento. Dependendo da estrutura da empresa e das atividades realizadas, mecanismos como a Lei do Bem podem reduzir a carga tributária associada aos dispêndios elegíveis de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica.

O benefício precisa ser analisado antes de entrar na projeção. Elegibilidade, regime tributário, características do projeto e documentação são determinantes para definir se existe oportunidade e qual é seu valor.

Dica do especialista: leve a tributação para o modelo antes de aprovar o investimento
Em muitos projetos industriais, a análise tributária acontece depois que máquinas foram compradas, contratos assinados e o orçamento aprovado.
Para o CFO, vale inverter essa sequência. Antes da decisão final, mapeie os tributos incidentes, os créditos que podem ser recuperados e os incentivos potencialmente aplicáveis.
O resultado pode alterar o desembolso líquido, o fluxo de caixa projetado e o prazo de retorno utilizados para aprovar o investimento.

Quais estratégias financeiras podem melhorar os resultados da indústria?

Indicadores revelam onde existem desvios ou oportunidades. A gestão transforma essas informações em ações.

Algumas estratégias aparecem com frequência justamente porque atacam os pontos que mais interferem em margem, liquidez e retorno sobre capital.

Melhorar a gestão do capital de giro

Reduzir a pressão sobre o caixa exige observar estoque, recebíveis e pagamentos em conjunto.

Negociar mais prazo com fornecedores pode ajudar, mas seu efeito será limitado se o estoque continuar aumentando ou se os clientes levarem cada vez mais tempo para pagar.

O objetivo é encurtar, sempre que possível, o período em que a empresa precisa financiar a operação com recursos próprios ou dívida.

Revisar a estrutura de custos

A revisão de custos deve ir além de cortes generalizados. O CFO precisa identificar quais componentes estão aumentando, por quê e como interferem na competitividade.

Energia, matéria-prima, mão de obra, desperdício, capacidade ociosa, logística e tributação podem exigir soluções diferentes.

Essa separação evita reduzir despesas que sustentam produtividade enquanto causas estruturais continuam sem tratamento.

Integrar dados financeiros e operacionais

Uma indústria gera informações em produção, compras, estoque, comercial, fiscal e financeiro. Quando essas bases são analisadas separadamente, o CFO recebe uma fotografia fragmentada.

A integração permite compreender relações como aumento de estoque e necessidade de capital, queda do OEE e custo unitário ou mudança tributária e formação de preços.

Avaliar investimentos com base em retorno e risco

O valor inicial do investimento é apenas uma parte da decisão. Uma análise completa deve considerar fluxos de caixa esperados, prazo de implantação, produtividade projetada, vida útil, manutenção, financiamento, riscos e impactos tributários.

Também é recomendável trabalhar com cenários. Se o volume produzido ficar 15% abaixo da previsão, o projeto continua viável? E se o custo de energia subir? Qual é o impacto de um atraso na implantação?

Responder essas perguntas antes da decisão ajuda a reduzir a dependência de premissas excessivamente otimistas.

Mapear oportunidades de eficiência tributária

A gestão tributária pode revelar créditos não aproveitados, enquadramentos inadequados, incentivos compatíveis com determinados investimentos ou efeitos financeiros de mudanças regulatórias.

Esse trabalho precisa ser feito dentro dos limites legais e considerando a realidade da empresa.

Eficiência tributária significa compreender as regras aplicáveis à operação e utilizá-las corretamente dentro da estratégia financeira.

Incentivos fiscais podem fazer parte da estratégia financeira da indústria?

Sim, quando a empresa cumpre os requisitos e o incentivo tem relação com sua operação ou seus investimentos.

O ganho precisa ser calculado dentro do projeto financeiro. Um benefício fiscal pode reduzir determinado custo, liberar caixa ou alterar o retorno esperado, mas seu efeito depende das regras de cada mecanismo.

A Lei do Bem é um exemplo relevante para indústrias que investem em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica.

A legislação prevê incentivos relacionados aos dispêndios elegíveis de PD&I para empresas que atendam aos requisitos. Entre as condições destacadas pelo MCTI estão a tributação pelo Lucro Real, regularidade fiscal e realização de atividades enquadráveis de pesquisa e desenvolvimento.

A lei também prevê instrumentos como exclusões adicionais na apuração de IRPJ e CSLL e tratamento específico para determinados bens destinados à PD&I.

A relevância financeira desse instrumento vem crescendo. Segundo o MCTI, no ano-base 2024, 4.252 empresas foram beneficiadas pela Lei do Bem, com R$51,59 bilhões investidos em pesquisa e desenvolvimento, distribuídos em 14.877 projetos. A renúncia fiscal estimada foi de R$11,98 bilhões.

Isso não significa que todo investimento em inovação gere benefício. O projeto, as atividades realizadas e os dispêndios precisam ser avaliados conforme os critérios aplicáveis.

Para o CFO, a pergunta relevante é: existem investimentos que a empresa já realiza e que deveriam entrar na análise tributária antes de o orçamento e o retorno serem considerados definitivos?

É nesse ponto que incentivo fiscal deixa de ser apenas tema da área tributária e passa a fazer parte da decisão financeira.

Como construir uma estratégia financeira orientada por indicadores?

Uma boa estrutura de indicadores precisa ser suficientemente ampla para explicar o negócio e suficientemente enxuta para continuar útil. O processo pode ser organizado em cinco etapas:

1. Defina os indicadores prioritários

O CFO não precisa começar com dezenas de métricas. Escolha aquelas relacionadas aos principais objetivos e riscos da empresa.

Se o problema está no caixa, capital de giro, estoque e prazos ganham prioridade. Se a margem está pressionada, custos, produtividade, desperdício e carga tributária merecem atenção maior.

2. Integre dados financeiros, operacionais e tributários

Defina como os dados de diferentes áreas serão relacionados. Um indicador de margem deve poder ser investigado até custos, produção e tributação. O estoque precisa conversar com compras, vendas e caixa.

Essa conexão permite sair do sintoma e chegar à causa.

3. Estabeleça referências e periodicidade

Um número isolado tem pouco poder de análise. Compare-o com orçamento, histórico, meta e períodos anteriores. Sempre que fizer sentido, use também referências do setor ou da própria capacidade industrial.

A periodicidade deve acompanhar a velocidade com que o indicador pode mudar e a rapidez necessária para agir.

4. Transforme desvios em planos de ação

Defina previamente o que acontece quando um indicador sai do esperado. Quem investiga? Qual informação complementar será analisada? Existe limite de tolerância? Quando a diretoria precisa participar?

Isso transforma o dashboard em instrumento de gestão.

5. Revise indicadores e premissas

O conjunto de métricas precisa acompanhar a estratégia. Novos investimentos, mudanças de mercado, alterações tributárias e transformações na operação podem tornar um indicador mais ou menos relevante.

A própria Reforma Tributária cria um bom exemplo: durante a transição, métricas relacionadas a créditos, preços e fluxo de caixa tributário podem ganhar uma importância que não possuíam alguns anos antes.

O CFO como elo entre finanças, operação e estratégia

Os números financeiros mostram onde a empresa chegou. A atuação estratégica do CFO ajuda a entender como ela chegou até ali e o que pode ser feito a partir dessa informação.

Na indústria, isso exige acompanhar a operação de perto.

Margem conversa com custo e produtividade. Caixa conversa com estoque e prazos. ROI conversa com capacidade, risco e tributação. Uma decisão fiscal pode aparecer posteriormente no preço, na rentabilidade ou no capital disponível para investir.

Essa leitura integrada amplia a qualidade das decisões e também ajuda a identificar oportunidades que ficariam escondidas em análises isoladas.

A Domínio Tributário atua justamente nessa conexão entre estratégia financeira e tributação. Nossa equipe avalia como a estrutura fiscal atual interfere em margens, caixa, investimentos e decisões de crescimento, além de identificar incentivos e oportunidades tributárias compatíveis com a realidade da operação.

Para o CFO, portanto, tributação não deveria ser uma análise posterior à decisão financeira. Ela deve ser uma das variáveis utilizadas para construir a própria decisão.

Ao incorporar a variável tributária ao planejamento, a empresa consegue avaliar diferentes cenários com uma visão mais completa dos impactos financeiros e identificar oportunidades de maior eficiência na operação.

A Dominio Tributário pode apoiar essa análise, considerando as particularidades da operação e os impactos tributários envolvidos nas decisões estratégicas.


Ivan Faliguski CEO Dominio Tributário

Ivan Faliguski

CEO e fundador da Domínio Tributário

Com atuação em estratégias tributárias e incentivos fiscais voltados à redução de impostos, com expertise em Lei do Bem, Mover e Lei da Informática. Formado em Ciências Contábeis pela UFRGS, com MBA em Controladoria e Finanças pela UNISINOS e MBA em Gestão Financeira e Econômica de Tributos pela FGV. Atuou em imersão no Vale do Silício pelo MIT Professional Education. Já estruturou centenas de projetos em empresas de tecnologia, software e indústria.

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